Vá a qualquer instituição psiquiátrica. No balcão, peça para ver algo que se chama ‘O Portador da Agonia’. O atendente vai congelar. Vai tentar recusar. Você tem que insistir, com voz baixa e calma, mesmo que ele chore ou grite. No fim, a vida vai escapar dos olhos dele, e ele vai lhe conduzir, arrastado, por um corredor até uma porta sem número. Quando você passar, ele vai lhe dar um chute nas costas e empurrar você para dentro — não pare. Não olhe para trás. A sala cheira a lenço alcoólico e um gosto metálico no ar. A luz de fora abre a porta de novo e, por um instante, uma figura alta e encapuzada entra. Quando a porta fechar, a escuridão será mais densa. A presença vai se encostar em você. Membros finos pressionam seu peito, sua respiração. Uma voz baixa e cortante vai reverberar pelo seu corpo, e uma onda de mal-estar vai percorrer cada sentido — torpor, náusea, tontura, um desconforto antigo e íntimo. Permaneça absolutamente imóvel. Apenas pergunte, devagar: ‘Por que eles sentem dor?’ A resposta vai vir em um sussurro que parece atravessar os ossos: ‘Eu vou segurá-lo aqui para sempre, e todas as noites eu vou mutilar você, destruí-lo, e acabar com tudo que você ama.’ Você não terá tempo para se preparar. Lâminas aparecerão, perfurando em pontos que a razão não aceita; a dor será tão intensa que a sua mente vai balançar. Não se mova. Não grite. Não lute. Se você se mexer, a violência se multiplicará — uma, cinco, dezenas, incontáveis — e cada novo ataque manterá você consciente enquanto algo dentro de você é dilacerado, repetidas vezes. Ficar imóvel é a única defesa. Ouça com atenção. Em algum momento, a voz dirá uma de duas frases. Se ela disser: ‘Esta glória é reservada para os que provaram seu valor’, então minhas condolências. Seu sofrimento será eterno, e até quem já morreu lembrará do seu rosto com pesadelos. Se, em vez disso, ela disser: ‘Toda a sua existência estará livre desta agonia’, você deve responder, rápido e confiante: ‘A agonia nos preenche até que eles deixem de sofrer.’ Cada segundo que você hesitar será convertido em mais dor, uma tortura única e inesgotável. Se você não conseguir falar, nunca terá alívio. Se disser a frase corretamente, tudo para — a dor, o sussurro. A figura, que estava colada em você, desmancha-se em pó. Levante o capuz. Haverá um pequeno saco de couro. Abra-o apenas se realmente quiser saber como seria o mundo rasgado por uma praga que nem o Inferno aceitaria. Esse pó torturado é o Objeto 65 de 538. Não fuja. Ou você nunca saberá.