A solidão é uma benção até que se torne uma maldição. Eu vim para esta casa isolada buscando o silêncio, a paz que a cidade não podia dar. No início, era perfeito. O canto dos pássaros, o vento nas árvores, o nada absoluto. Mas o nada logo começou a ter um som próprio, um eco oco que preenchia os vazios. Comecei a notar pequenas coisas: a porta do meu quarto, que jurei ter trancado, estava entreaberta ao acordar. Um objeto movido, uma sombra rápida no canto do olho que se desfazia antes que eu pudesse focar. Eu me dizia que era cansaço, a casa velha, a mente pregando peças. Mas a sensação de não estar sozinho crescia, como uma névoa fria que invadia cada cômodo. Parecia que cada respiração, cada movimento meu era… observado. Eu andava pelos corredores com a nuca arrepiada, procurando o quê, eu não sabia. Um vulto. Um sussurro. Nada. A casa estava vazia, mas pesada, como se a própria escuridão tivesse uma presença sólida. Uma noite, eu estava deitado, tentando ignorar o pavor que me apertava o peito. Convencido de que era paranoia, fechei os olhos. Foi quando senti. Uma pressão gelada e persistente no topo da minha cabeça, como se algo estivesse se inclinando sobre mim, observando cada batida do meu coração. Não havia som, não havia visão, apenas o toque gélido e invisível de algo que finalmente havia chegado perto demais.